14:38 | Author: M.
É bom saber
que apesar de eu ser louca
não há paixão pouca
não há nada que possa ser
descontrole descabido
só quando beija meu ouvido
vendo o dia amanhecer.

É quase milagre
que sejamos tão próximos
você na labuta, eu no ócio
você é ação
eu sou propósito
Você me tem como um cão
você é tão óbvio
06:33 | Author: M.
No meu coração não se deve pisar.
Não sou o tipo de mulher que espera a lança.
Se esse amor, antes de tudo, é uma engenhosa dança
deixo o salão com minha tristeza e uma esperança.

Você não entende que essa dor é fruto delicado
não vou negar que me deixei morrer ao seu lado
mas toda mulher precisa de um homem
veja bem, não refiro a um nome.

Se volta de madrugada, te faço agrado
e o cheiro dela no pescoço não me é agravo
Mas é em casa que me torno a tua mulher
Se pensou que era pra sempre, te digo: não é.

Vivo agora de tristes ameaças
Tudo acaba quando você me abraça
E tuas pernas pesam sobre meu colchão
Tua mãos seguram firme o meu coração

Sempre te disse que seria um inferno
Se acordando não visse o seu terno
Um dia, levo essa ameaça a termo
Largo a casa, o amor e o teu cheiro.
02:29 | Author: P
me apaixonei recentemente
por alguém que, em poucos dias,
ia partir de volta para sua cidade.

não a conheci bem.
nos vimos apenas umas 3 vezes.
de fato,
só me aparcebi desse sentimento dias depois de sua partida.

tudo que me restou dela foram alguns breves momentos
em que percebi que tinha com ela uma agradável estranha sensação de intimidade,
como se eu já a conhecesse e,
ao mesmo tempo, a desejasse conhecer mais e mais.

era o que eu só consigo definir agora como uma alma irmã,
daquelas que no primeiro encontro fica estabelecida uma conexão onírica-embrionária-espectral.

sinto saudade de alguém que não conheço,
mas que, de cara, reconheci.
11:49 | Author: M.
Meu bem,
lançados os dados não há volta.
Não pense que estarei sempre à bater na porta.
nem que a vida, aguda, vai te dar escolta.
Por que solidão é silêncio e madrugada.
E depois de tanto desencontro restará nada.

Meu bem,
podemos escrever novos capítulos
pra descobrir qual pode ser o título
do nosso íntimo romance ridículo
Eu confio na astrologia específica
e no seu sorriso ao dizer que fica.

Não há previsão que seja eterna
mesmo protestando que lhe quebrei as pernas
Toda certeza tem seu ponto fraco
toda paixão tem seu quê de asco.

Meu bem,
eu não vou esperar os destroços
por que sei que é maior do que posso.
A dor enrigecendo os ossos
E por isso que não intento esforços.

Que o fim seja delicado
por que seria, então, um pecado
Ver meu coração, pelo teu
Em pedaços.
14:45 | Author: M.
Hoje estou triste em primeira pessoa, como quem abandona os arreios da vida e deixa que ela caminhe em des-com-passo.
Não há subterfúgios suficientes para tanta vida e querer o melhor é labuta árdua para escassas existências. Meu útero se revolve em inequações, em posições imprecisas, então caio, vencida.
Por que tanta água?
Qual o sentido de tanta batalha? São os olhos, os ossos esfacelando. Sou eu com as juntas latejando, enferrujadas. Posso ouvir o rangido que fazem quando me movo.
Mover-se é uma arte, arder-se é um destino.
15:51 | Author: M.
Silêncio.

Há solidão em todos os cantos, em pontos de encontro da casa.

Esvaiu-se atravancamentos. Nenhum amor entorno do olhos.

Quanto barulho há naquilo que, em si, não tem importância nenhuma.

Provas de amor aprisionam as almas mais frágeis.
07:48 | Author: M.
O dia se tornando trágico
ávida vida dolorida.
Em que consiste o máximo
do triunfante pálido?
E tudo se fez escândalo.
Ainda com os olhos fúlgidos
balouçando entre os patéticos
serei movimento hermético
da palavra atravancada.

Ainda largando estórias
no meio das engrenagens
caçando beijos esquálidos
Brincar me dá um diâmetro
de como caminha o verbo
O sentimento que era eléctrico
agora é quase eufémico.
Se fosse catarse fálica
seria expressão inválida?
11:36 | Author: M.
Toda palavra se findou no ato.
Atado ao fato
ingrato conhecimento de si.
Se fez átomo, intuição tácita
da cadência fálica dos pés,
espetáculo.
Talhadas à fogo e ácido
as veias saltam lívidas.
O que outrora fora pensamento
é tremulação física.